Cenários para a Aprendizagem – O Modelo ABC

(Texto revisado e atualizado em 30/08/2017)

Uma das tendências atuais mais marcantes, principalmente no e-Learning corporativo, é o uso cada vez maior do modelo de Aprendizagem Baseada em Cenários – ABC (uma tradução literal da expressão inglesa “Scenario-Based Learning – SBL”).

Recentemente, o diretor de uma empresa que produz cursos e materiais de e-Learning, nos Estados Unidos, comentou que esse modelo está tão em voga por lá que muitos clientes já chegam solicitando a elaboração de um treinamento “baseado em cenários”.

Mas o que vem a ser a aprendizagem baseada em cenários?

A ABC é essencialmente uma abordagem prática na qual o aluno faz uma imersão em simulações de situações da vida real, que permitem a ele adquirir conhecimentos e desenvolver habilidades para uso futuro. É um modelo que melhora a qualidade da aprendizagem, porque é capaz de trabalhar com emoções e atitudes, e de fornecer um contexto ao aluno, aumentando o seu interesse e envolvimento. O cenário contextual criado pelo modelo ABC é facilmente manipulado pelo aluno, por meio da sua memória de trabalho, e as informações mais importantes são remetidas para a memória de longo prazo. (Dica: Veja mais a este respeito no Blog da eLearning Industry)

Nota: os conceitos de “memória de trabalho” e “memória de longo prazo” são muito importantes e vamos voltar a eles em futuros posts.

No modelo ABC os alunos aprendem, com mais facilidade, a desenvolver habilidades de tomada de decisão e solução de problemas, porque são expostos a problemas ou casos que são réplicas de situações reais que eles enfrentam ou podem vir a enfrentar. Cada aluno segue o seu caminho ao longo de cenários que lhe são apresentados como uma história. Ele adquire, assim, uma compreensão mais abrangente a respeito dos assuntos com que está lidando, porque o modelo é não linear e os cenários apresentam uma multiplicidade de fatores e restrições a serem considerados.

Segundo um post no blog da Origin Learning, a aprendizagem baseada em cenários utiliza os princípios da teoria da “aprendizagem situada”, proposta por Jean Lave e Etienne Wenger no livro “Situated Learning: Legitimate Peripheral Participation”, publicado em 1991. Esses autores postulam que a aprendizagem ocorre com mais qualidade quando tem lugar no próprio contexto em que vai ser aplicada.

Bem, agora vamos aos exemplos práticos.

Você já viu, neste blog, um exemplo de cenário baseado apenas em texto (caso “sobrevivendo no exterior”) e um exemplo de cenário baseado em vídeo interativo (“heart rescue now”), que envolveu uma produção cara e demorada.

Vamos ver, agora, um exemplo desenvolvido nos EUA de cenário interativo que usa uma combinação de história em quadrinhos (ou fotonovela) e vídeo. Mas, neste caso, os vídeos são bastante curtos (apenas alguns segundos de duração cada um) e com produção muito barata, quase caseira. Em cada cenário, a maior parte da história é contada por meio de fotos e balões de texto. Trata-se do “Broken Co-worker”, desenvolvido para o ambiente corporativo e que trata de assédio no local de trabalho.

Para acessar uma demonstração, entre no site elearnerengaged“, clique no botão “Get Demo Access Free” e entre com seu endereço de e-mail. Em seguida, acesse a sua caixa de entrada, abra o arquivo recebido e clique no link “click here” para navegar por essa demo.

Você deverá notar que é utilizado um interessante recurso de programação que permite, ao final da atividade, o fornecimento de um feedback customizado, de acordo com as respostas ou escolhas feitas ao longo da atividade. Você rapidamente aprenderá que, dentro do contexto da história, algumas escolhas são melhores que outras.

Boa diversão e boa aprendizagem.

 

4 Comentários

  1. Ana Paula Cruz

    Interessantíssimo! O mais curioso é que esse formato prende a atenção, assim como um bom livro. Parabéns!

    Responder
    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Oi, Ana Paula.
      Obrigado pelo feedback.
      Um abraço.
      Wagner

      Responder
  2. Elizandro

    Ótimo Post.

    Concordo com você, o flash era uma ótima ferramenta que pode ser utilizada em EAD e apresentações.

    Abandonar o flash foi uma decisão pouco pensada.

    att.

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    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      É isso aí, Elizandro. Foi mesmo uma decisão pouco pensada. Há muitos materiais elaborados em Flash que foram abandonados porque não rodam em smartphones e tablets. Mas quem disse que os alunos usam apenas smartphones e tablets para acessar os seus cursos à distância?
      Um abraço.

      Responder

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