Apresentações baseadas em design instrucional

Por um vício de nascimento, a função “design instrucional”, em nosso país, continua fortemente atrelada a processos de e-Learning e de educação à distância. Parece que as corporações e as instituições de ensino só se lembram de contratar designers instrucionais quando estão envolvidas com esses processos.

É claro que essa é uma visão estreita da atuação de um DI.

 

Nós, DIs, estamos capacitados a trabalhar no desenvolvimento de eventos didáticos presenciais, em sala de aula, sejam eles programas de treinamento ou cursos acadêmicos.

E mais do que isso: um DI está habilitado a trabalhar em eventos que não sejam puramente ou tradicionalmente didáticos, como cursos e treinamentos, mas que também envolvam mudanças de comportamento.

A área de apresentações constitui um desses eventos.

Executivos de empresas e de instituições de ensino teriam muito a ganhar se pudessem contar com o suporte de designers instrucionais para o planejamento e desenvolvimento de suas apresentações.

 

De maneira resumida, o processo de apoio que o DI pode prestar a um executivo envolvido com o planejamento e elaboração de uma apresentação envolve os seguintes passos:

  1. Definir o tema da apresentação.
  2. Definir o contexto da apresentação.
  3. Redigir a conclusão da apresentação.
  4. Redigir a abertura da apresentação.
  5. Definir os três tópicos principais da apresentação.
  6. Para cada tópico, definir três subtópicos.
  7. Redigir o conteúdo dos tópicos e subtópicos.
  8. Testar a apresentação (se possível).
  9. Ajustar o conteúdo (se necessário).

Vejamos cada um desses procedimentos com um pouco mais de detalhe:

  1. Definir o tema da apresentação. Este passo é autoexplicativo.
  2. Definir o contexto da apresentação. A definição do contexto envolve a identificação de quatro componentes: modalidade, duração, audiência e recursos de apoio.
    1. Modalidade: qual é a modalidade da apresentação? Trata-se de uma apresentação a ser feita em reunião de diretoria? Reunião de departamento? Com clientes ou fornecedores? Apresentação em uma conferência, simpósio ou congresso?
    2. Duração: qual o tempo previsto para a realização dessa apresentação?
    3. Audiência: quem são e quantos são os membros da audiência? (valem estimativas!)
    4. Recursos de apoio: haverá disponibilidade de equipamentos de apoio tais como Datashow, computador com PowerPoint, acesso à internet etc.?
  3. Redigir a conclusão da apresentação. Este é o ponto crítico do processo de planejamento da apresentação e um dos principais diferenciais de atuação profissional de um DI. De maneira nenhuma a redação da conclusão deve ser deixada para o final. Antes de pensar no conteúdo da apresentação, o executivo precisa pensar nos resultados que deseja obter! Que mensagem ele deseja deixar para a audiência? Que impactos pretende causar no público-alvo? Se a apresentação estiver baseada em PowerPoint, a tela de conclusão deve ser a primeira a ser escrita (mesmo que precise ser modificada depois!) Isso vai oferecer um “norte” para a seleção e sequenciamento das informações, ou seja, para as telas de conteúdo. Outra vantagem é que, com esta ação, evita-se o procedimento algo mecânico de pedir ao apresentador que defina os objetivos da apresentação. Até porque 9 entre 10 apresentadores vão responder que o objetivo da apresentação é “apresentar” alguma coisa, implicando uma redundância. Um aviso: esta costuma ser a fase mais difícil – ou, pelo menos, a mais demorada – do processo de planejamento, porque apresentadores podem ter muita dificuldade para pensar em “resultados” antes de pensar no “conteúdo”.
  4. Redigir a abertura da apresentação. Como em qualquer outro momento de abertura (seja de um livro, peça teatral ou filme), o texto ou a fala de abertura de uma apresentação deve capturar a atenção e interesse da audiência. A abertura já deve preparar a mente dos ouvintes para as conclusões que serão apresentadas ao final.
  5. Definir os três tópicos principais da apresentação. Por que três tópicos? E não dois ou quatro? Porque funciona na prática. Há toda uma discussão envolvendo o conceito de “memória de trabalho” (working memory) que pode ser facilmente localizada na internet. Mas o mais importante, aqui, é considerar que o DI deve orientar o apresentador a se concentrar em alguns tópicos principais, e três é um bom número. É muito comum o apresentador selecionar um grande número de itens para compor a sua apresentação e acabar se perdendo em meio a tópicos principais, subordinados e secundários. É claro que, se for necessário trabalhar com mais tópicos principais, então que se arrole todos os tópicos realmente necessários. A dica prática é: tudo aquilo que não contribui diretamente para as conclusões da apresentação pode ser eliminado sem qualquer prejuízo.
  6. Para cada tópico, definir três subtópicos. A lógica aqui é a mesma do procedimento acima. Apresentadores têm geralmente a tendência de achar que “tudo” é importante e precisa ser incluído. O papel do DI é depurar esse conteúdo até chegar aos subtópicos mais importantes. De preferência, que sejam, no máximo, três.
  7. Redigir o conteúdo dos tópicos e subtópicos. Trata-se de pavimentar o caminho entre a abertura e a conclusão. O texto ou a fala deve fluir naturalmente, com informações encadeadas que justifiquem o pronunciamento de abertura e embasem de maneira lógica as conclusões da apresentação.
  8. Testar a apresentação (se possível). Nos dias de hoje parece impossível arranjar tempo para fazer qualquer tipo de teste. Mas como a apresentação é uma atividade profissional, deveria ser testada antes. O ideal é que o teste seja feito com o DI atuando como membro da audiência e sugerindo correções.
  9. Ajustar o conteúdo (se necessário). Também é um passo autoexplicativo.

Espero que o método e as dicas aqui apresentados sejam úteis e ampliem o repertório de atuação dos DIs.

Se você é um DI que trabalha – ou já trabalhou – orientando executivos a preparar apresentações, escreva para mim. Gostaria de trocar ideias.

2 Comentários

  1. AvatarAna Paula Cruz

    Exposição simples e objetiva. Grata.

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    1. AvatarWagner Destro

      Obrigado pelo feedback, Ana Paula. Simplicidade e objetividade são, de fato, objetivos deste blog.

      Responder

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