e-Learning: Aumentando a interatividade

Online_learningPor dever de ofício, às vezes navego por demos de e-learning corporativo que descubro na internet. Quase sempre, a impressão que fica é: “ mais do mesmo! ”.

Os materiais de e-learning costumam se resumir a telas no estilo “powerpoint” em que aparecem uma imagem, um texto e um botão “Avançar”. Às vezes, há alguma animação ou algum personagem, há textos com marcadores e caixas de texto que só aparecem quando se clica em determinado link, e pode haver algum vídeo. De vez em quando aparece uma questão com feedback imediato para o aluno.

As animações, os vídeos, os eventuais personagens, os marcadores, as cores, os espaços em branco… tudo aparenta um ar de modernidade.

Mas não é essa a questão! O problema é que o conteúdo a ser aprendido está sendo entregue pronto e “mastigado” aos estudantes que, assim, não têm muito trabalho para “digerir” a matéria. Parece haver uma crença generalizada, entre os construtores desses eventos de treinamento, que os estudantes gostam de receber a informação pronta e mastigada e que eles aprendem melhor assim.

Mas será que isso é verdade? Será que os alunos aprendem melhor desse jeito? Ou será que nós, designers instrucionais, preferimos ensinar desse jeito porque é mais cômodo, mais fácil e mais rápido? Sim, porque esse modelo mimetiza a aula expositiva do ensino presencial, com a qual todos estamos acostumados.

Tenho dúvidas a respeito do grau de envolvimento – e consequente grau de aprendizagem – dos participantes de cursos de e-learning em que se exige deles apenas uma postura passiva, ou seja, ler textos, observar imagens, olhar um vídeo, e não muito mais que isso.

Fico me perguntando quantas oportunidades de aprendizagem real e significativa são perdidas com a ênfase dada a essa postura. E qual o custo econômico dessas oportunidades perdidas.

Acredito que tornar a aprendizagem mais significativa e duradoura, com base em estratégias mais interativas, não é uma iniciativa cara, demorada ou complicada. Como sempre, vou tentar demonstrar isso por meio de um exemplo prático.

Exemplo prático

O exemplo a seguir está baseado no artigo “Let The Learners Hold The Spoon”, publicado por Jane Bozarth no site “Learning Solutions Magazine”, em junho de 2011.

Vamos supor que esteja sendo produzido um treinamento à distância para assistentes sociais que trabalham na Secretaria de Bem-Estar Social de um dado governo estadual. Um dos tópicos a serem cobertos pelo treinamento trata do tema “Segurança nas ruas”. Uma das telas apresenta o seguinte conteúdo:

Seguranca_1

Suponha que as telas seguintes contenham mais textos explicando os motivos desses cuidados.

Qual o problema dessa abordagem?

Bem, as alunas recebem a informação pronta. Elas não precisam pensar e, provavelmente, ninguém vai mesmo pensar muito nesse assunto e nem se lembrar desses cuidados algum tempo depois, quando estiverem nas ruas (se é que alguém vai prestar atenção nessas telas). Parecem ser informações de senso comum, sem muita relevância, que estão sendo entregues sem que as alunas precisem fazer qualquer esforço para obtê-las.

Vejamos, agora, três maneiras diferentes de apresentar esse conteúdo que podem tornar mais significativa essa aprendizagem.

A primeira maneira consiste em apresentar o conteúdo neste formato:

Seguranca_3

Este formato é melhor que o anterior, porque estimula a aluna a pensar no assunto antes de receber as respostas, tornando a aprendizagem mais significativa e duradoura. Ou não. A adequação dessa estratégia vai depender do grau de conhecimento prévio desse assunto por parte das alunas. Se elas forem inexperientes em trabalhos de campo e tiverem pouco ou nenhum conhecimento prévio a respeito do tema, a variabilidade de respostas poderá ser enorme, tornando menos significativa a aprendizagem.

A segunda maneira seria elaborar uma tela como a seguinte:

Seguranca_6

Parece que melhorou. A introdução de uma imagem (neste caso, a foto de uma assistente social) vai ajudar a delimitar o escopo de respostas e fornecer um foco mesmo para as alunas com pouco conhecimento prévio do assunto. A aprendizagem deverá ser mais significativa.

Mas ainda não chegamos a um ponto ótimo. Será mesmo necessário que o DI, ao montar o curso, precise informar às alunas, previamente, que são apenas três os itens de segurança pessoal a serem considerados? Talvez ele possa obter melhor resultado se permitir às alunas que interajam com a imagem sem que elas saibam, a priori, quantos são os itens de segurança.

A terceira maneira de apresentar o conteúdo poderia ter um formato similar a este:

Seguranca_4

Para interagir com a imagem, a aluna vai precisar pensar em condições inseguras e, ao clicar nas várias partes da mesma, vai receber tanto feedbacks corretos quanto incorretos. A aprendizagem deverá ser mais significativa e duradoura.

Agora, pare e pense um pouco nos trabalhos que você tem realizado como designer instrucional. Será que houve momentos em que você poderia ter aumentado o grau de interatividade em vez de apresentar conteúdos prontos e mastigados aos seus alunos?

Nota: A foto utilizada foi retirada do citado artigo de Jane Bozarth.

 

6 Comentários

  1. Wander Luiz Pio de Sena

    Pertinente e didático.
    Obrigado por compartilhar.

    Responder
    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Olá, Wander.
      Obrigado pelo feedback.

      Responder
  2. Emilio Antonio Leonel Ferreira

    Wagner,boa noite!
    Interessante as formas de motivar o participante a interagir com o material e a buscar o aprendizado, obrigado pelas dicas

    Responder
    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Boa tarde, Emilio.
      Sim, são dicas simples e práticas, e que costumam funcionar.

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  3. Creuza Moura

    Muito bom seu blogue. Já está nos meus favoritos para não esquecer de visitar. Obrigada pelas orientações.

    Responder
    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Olá, Creuza. Que bom que você está gostando do blog. Eu é que agradeço o seu feedback.

      Responder

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