Lendas urbanas em educação e treinamento

É bem provável que você conheça uma ou mais lendas urbanas, não é?

Caso não se lembre de nenhuma agora, basta usar o Google: a internet está cheia de sites com as mais diferentes lendas urbanas. Algumas são engraçadas, outras são histórias de horror.

Tem a lenda do “chupa-cabra”, do “ET de Varginha”, do crocodilo que cresceu nos esgotos da cidade de Nova York (e até virou filme…)

O que caracteriza uma lenda urbana? Trata-se de uma história ou narrativa que ninguém sabe como começa, que é plausível, ou seja, tem aparência de ser verdadeira, e se espalha rapidamente, como todos os boatos com alguma carga emocional.

Enquanto estivermos falando da existência ou não do “chupa-cabra”, tudo bem. Mas, e quando alguém da área da educação começa a falar a respeito das crianças da atual geração digital cujos cérebros estão tão evoluídos que elas se tornaram capazes de executar várias tarefas simultaneamente? Será verdade? Ou será lenda urbana?

Esses questionamentos são respondidos pelos professores Paul A. Kirschner (Open University of The Netherlands) e Jeroen J. G. van Merriënboer (Maastricht University) no excelente artigo “Do Learners Really Know Best? Urban Legends in Education”, publicado pela Educational Psychologist em junho de 2013.

Trata-se de leitura indispensável a todos aqueles que se preocupam com a fundamentação científica das atividades de ensino e aprendizagem. Para baixar uma versão desse artigo, em inglês, em formato PDF, clique aqui.

Eu adianto para você a tradução (livre) do sumário desse artigo:

Este artigo lança um olhar crítico sobre três lendas urbanas, amplamente difundidas no campo da educação, a respeito da natureza dos estudantes e do processo ensino – aprendizagem, e focaliza o que as pesquisas educacional e psicológica tem a dizer sobre elas. As três lendas podem ser vistas como variações em torno de um tema central, ou seja, que é o aluno quem sabe melhor e que deveria ser ele a força controladora da sua própria aprendizagem. A primeira lenda é a dos alunos como “nativos digitais” formando uma geração de estudantes que sabem, por sua própria natureza, como aprender usando as novas mídias, e para quem os “velhos” meios e métodos utilizados no processo ensino – aprendizagem não funcionam mais. A segunda lenda é a crença generalizada de que os alunos têm “estilos de aprendizagem” específicos e que a educação deveria ser individualizada ao ponto em que a pedagogia do processo ensino – aprendizagem atenda ao estilo preferido do aluno. A lenda final é que os alunos deveriam ser vistos como “autoeducadores” a quem deve ser dado o máximo de controle sobre o conteúdo que estão aprendendo e sobre a trajetória de sua aprendizagem. O artigo conclui com uma possível razão pela qual essas lendas se fortaleceram, são tão difundidas e tão difíceis de erradicar.

Vamos discutir as informações e dados de pesquisa desse artigo?

Aguardo sua participação na seção de “Comentários”.

2 Comentários

  1. AvatarVanessa

    Olá!

    Achei o artigo muito bom, pois traz exemplos interessantes das pesquisas que os autores realizaram e que ajudam a pensar as “lendas”. Concordo que o essencial é a reflexão crítica sobre o que se pode fazer/criar navegando na internet, e também orientações sobre que ferramentas podem ajudar a pessoa a realizar uma tarefa de maneira mais criativa, mais rápida, enfim, mais eficiente. Essa leitura me fez lembrar experiências educativas que realizei com alunos em diferentes níveis de escolaridade.

    Certa vez, com alunos de graduação em Letras, em uma turma de Prática de revisão de texto, pude verificar que muitos não conheciam e não sabiam utilizar a ferramenta revisão, do Microsoft Word. Também foi grande a dificuldade para que a turma pudesse compartilhar arquivos e trabalhar em pares com o auxílio dos documentos do Google. Isso porque eram alunos que trabalhavam cotidianamente com arquivos de texto.

    Já em uma turma do Ensino Médio, tenho um caso de sucesso: os alunos selecionaram e apresentaram, em uma exposição oral, com o suporte exclusivo de imagens projetadas com datashow, verdadeiras narrativas que contavam a história das vanguardas artísticas europeias. Isso por pura influência de redes como tumblr e pinterest, que discutimos em sala. E digo que o feedback deles foi uma empolgação pura, pois, segundo eles, essas redes “serviram” de base para a elaboração do trabalho de literatura. As redes “serviam” para alguma coisa que não a coleção pura.

    De todo modo, estamos sempre aprendendo, o que é ótimo. E a web está aí para oferecer todo tipo de ferramenta; basta a gente selecionar aquelas que são realmente úteis para o que queremos desenvolver.

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    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Olá, Vanessa. Obrigado pelo comentário.
      Agradeço também você ter compartilhado os dois exemplos retirados de sua própria experiência profissional, que ajudam a enriquecer o debate sobre esse tema tão polêmico e tão importante.
      Um abraço.

      Responder

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