O construtivismo no ensino: um caso de fracasso?

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Até onde posso perceber, o construtivismo é um modelo de ensino de sucesso nas universidades brasileiras. Pelo menos ao nível do discurso…. Esse parece ser o modelo hegemônico nas faculdades de Pedagogia: tudo gira em torno do construtivismo e modelos associados (conectivismo, interacionismo etc.).

Sempre me impressionou a forma como a abordagem construtivista é tratada pelos profissionais da educação: apenas de forma teórica e, como um corolário, de forma intensamente ideológica. Ou seja, não vejo serem apresentadas evidências científicas de que essa abordagem produza melhores resultados educacionais.

Assim, por óbvio, tenho me perguntado: o construtivismo é mesmo um modelo de ensino superior que produz melhor aprendizagem?

Não tive condições de fazer um levantamento exaustivo, mas não achei nenhum estudo a esse respeito que tenha sido realizado por autores brasileiros e baseado em parâmetros científicos sólidos.

Descobri há tempos um artigo, publicado em 2006 pelos professores Paul A. Kirschner (Utrecht University, The Netherlands), John Sweller (University of New South Wales) e Richard E. Clark (University of Southern California), com um título bem sugestivo: “Why Minimal Guidance During Instruction Does Not Work: An Analysis of the Failure of Constructivist, Discovery, Problem-Based, Experiential, and Inquiry-Based Teaching”.

Esse título confirma aquilo que os designers instrucionais mais experientes já sabem por vivência própria: a não diretividade (ou pouca diretividade) durante o ensino não funciona. Mesmo que o discurso da instituição de ensino seja em prol da não diretividade (tipo “aqui o professor não ensina; é o aluno que constrói seu próprio conhecimento”), na prática, o DI precisa inserir orientações precisas em vários momentos, caso contrário a aprendizagem não vai ocorrer.

O artigo pareceu tão bom que eu e um colega resolvemos traduzir para o português, e agora este blog disponibiliza para você. Vale a pena ler as razões levantadas pelos autores para o fracasso do ensino de base construtivista, que estão baseadas em dezenas de estudos científicos realizados na Europa e Estados Unidos.

Segue o sumário desse artigo:

A evidência para a superioridade do ensino diretivo é fornecida no contexto de nosso conhecimento da arquitetura cognitiva humana, das diferenças entre alunos experientes e novatos, e da carga cognitiva. Embora as abordagens instrucionais não diretivas ou pouco diretivas sejam muito populares e intuitivamente chamativas, existe a crença de que essas abordagens ignoram tanto as estruturas que constituem a arquitetura cognitiva humana quanto as evidências de estudos empíricos realizados ao longo da última metade do século 20, que indicam, consistentemente, que o ensino não diretivo é uma abordagem menos eficaz e menos eficiente do que as abordagens instrucionais que colocam forte ênfase na orientação do processo de aprendizagem do aluno. A vantagem da diretividade começa a diminuir apenas quando os aprendizes têm conhecimento prévio suficientemente grande para prover uma orientação “interna”. Desenvolvimentos recentes em pesquisa instrucional e modelos de desenho instrucional que dão suporte à orientação durante o ensino são descritos resumidamente.

E seguem os links para download:

Qual o seu posicionamento a esse respeito? Será que o que vale para a Europa e EUA não vale para o Brasil?

 

3 Comentários

  1. AvatarKmJo

    Os links do artigo estão corrompidos. :/

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    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Obrigado por informar. Os links já foram corrigidos.

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  2. AvatarRodrigo

    Construtivismo acabou com a Educação, a pedagogia tradicional os alunos aprendiam mesmo.

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