Taxonomia de Bloom Revisada (2001)

Uma grande revisão da Taxonomia de Bloom foi proposta por Lorin Anderson e David Krathwohl em seu livro A Taxonomy for Learning,Teaching, and Assessing: A Revision of Bloom’s Taxonomy of Educational Objectives (2001), New York: Longman.

Nessa revisão, os autores incorporam tanto o tipo do material a ser aprendido (dimensão do conteúdo) quanto o processo usado pelos alunos para aprenderem (dimensão do processo). Essa estrutura bidimensional permite que o professor defina com clareza os objetivos instrucionais e alinhe esses objetivos com as técnicas de avaliação da aprendizagem.

Essas duas dimensões estão ilustradas na tabela abaixo, que também serve como uma ferramenta que facilita a elaboração de objetivos instrucionais claros e significativos. Esse modelo é particularmente útil porque enfatiza a importância dos conhecimentos e habilidades metacognitivas que são essenciais tanto para o pensamento de ordem superior quanto para a solução de problemas.

Dimensão do Conteúdo

Dimensão do Processo

1-Recordar

2-Entender 3-Aplicar 4-Analisar 5-Avaliar

6-Criar

a) Fatual
b) Conceitual
c) Procedimental
d) Metacognitivo

 

Assim, uma importante mudança introduzida nessa Revisão de 2001 foi que a taxonomia, inicialmente composta por uma escala unidimensional, agora é composta por um “grid” ou tabela. O ensino de cada elemento de conteúdo (fatual, conceitual etc.) pode ser organizado em qualquer um dos seis níveis do processo de aprendizagem.

No eixo dimensão do processo de aprendizagem cognitiva, as principais mudanças em relação à taxonomia originalmente proposta por Bloom são as seguintes:

  • Esta revisão utiliza verbos em vez de substantivos;
  • O Nível 1 – Conhecimento – passou a ser “Recordar”;
  • O Nível 2 – Compreensão – passou a ser “Entender”;
  • O Nível 6 – Avaliação – passou para o Nível 5 – Avaliar;
  • O Nível 5 – Síntese – passou para o Nível 6 – Criar.

O eixo dimensão do conteúdo foi introduzido pelos autores da revisão, e cada nível dessa dimensão pode ser definido como segue:

  • Conteúdo fatual: material de aprendizagem composto por dados, fatos, acontecimentos, ocorrências, experiências etc;
  • Conteúdo conceitual: material de aprendizagem composto por definições, conceitos, regras, princípios, explicações etc;
  • Conteúdo procedimental: material de aprendizagem composto por atividades, situações, ferramentas e recursos práticos;
  • Conteúdo metacognitivo: material de aprendizagem composto por informações que estimulem o raciocínio, a crítica, a descoberta, a solução de problemas e a tomada de decisão.

Anderson & Krathwohl dão exemplos de verbos que podem ser usados em cada um dos níveis (ou estágios) do processo de aprendizagem cognitiva quando se está formulando objetivos instrucionais:

Recordar: reconhecer, listar, definir, rotular, nomear etc.
Entender: interpretar, explicar, classificar, resumir, etc.
Aplicar: executar, implementar, utilizar, construir etc.
Analisar: diferenciar, organizar, comparar, separar etc.
Avaliar: julgar, criticar, justificar, recomendar etc.
Criar: Gerar, planejar, produzir, inventar, desenvolver etc.

 

Exemplo de Aplicação

Suponha que você precise classificar o seguinte objetivo de acordo com a taxonomia revisada de Bloom:

Objetivo instrucional 1: Ao final desta disciplina, o aluno deverá ser capaz de utilizar corretamente a taxonomia de Bloom – Revisão 2001 na classificação de objetivos de aprendizagem.

A classificação desse objetivo poderia ser feita da seguinte maneira:

  • Dimensão do processo: Nível 3 – Aplicação (utilizar)
  • Dimensão do conteúdo: Nível C – Procedimental (taxonomia de Bloom – Revisão 2001)

Ou, utilizando a tabela da taxonomia, esse objetivo poderia ser classificado de forma visual, mais simples, desta maneira:

Dimensão do Conteúdo

Dimensão do Processo

1-Recordar 2-Entender 3-Aplicar 4-Analisar 5-Avaliar 6-Criar
a) Fatual
b) Conceitual
c) Procedimental

Obj. 1

d) Metacognitivo

 

Design de atividades

A definição e classificação bem feitas dos objetivos instrucionais são essenciais para o sucesso de um curso ou disciplina, porque ajudam a delimitar o conteúdo, a planejar atividades e interações, e a produzir os itens de avaliação.

As atividades, seja para efeito de interação ou de avaliação, estão associadas a cada um dos níveis da taxonomia. Isto significa que faz sentido usar certos tipos de atividade com certos níveis de objetivos, mas não com outros. Eis alguns exemplos de atividades que podem ser usadas em cada nível da taxonomia:

  1. Recordar: questões objetivas e questões discursivas.
  2. Entender: questões objetivas e questões discursivas.
  3. Aplicar: exercícios práticos, simulações, estudos de caso e games.
  4. Analisar: atividades de solução de problemas, estudos de caso e games.
  5. Avaliar: estudos de caso, ensaios e dissertações.
  6. Criar: elaboração de projetos, ensaios e dissertações.

Há duas considerações importantes a serem feitas:

  1. Essa lista de atividades não é exaustiva; você poderá usar outros tipos de atividade, em cada nível, de acordo com o material com que estiver trabalhando.
  2. Um mesmo tipo de atividade pode ser usado em diferentes níveis, mas com muito cuidado. É possível planejar, por exemplo, questões de múltipla escolha para um objetivo em nível de “análise” (nível 4). Mas, para tanto, é preciso que o designer instrucional tenha um bom conhecimento das competências envolvidas em cada nível. Já vi muitas questões de múltipla escolha propostas para objetivos de nível 4 ou 5 que mediam nada mais que a mera recordação (nível 1).

Espero que este texto dê bons subsídios para o planejamento de seus próximos cursos ou disciplinas.

 

 

10 Comentários

  1. Elizandro

    Muito bom, obrigado por compartilhar.

    Responder
    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Oi, Elizandro.
      Obrigado pelo feedback.
      Um abraço.
      Wagner

      Responder
  2. Katia

    Wagner, é sempre um prazer ler seu material. Aprendo muito e compartilho com meus alunos. Obrigada por compartilhar seus conhecimentos e experiência.

    Responder
    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Professora Katia, sou eu quem agradece o seu feedback, que me deixou emocionado. É muito bom saber que, de fato, estou sendo útil.

      Responder
  3. Aracele

    Muito simples de entender. Muito obrigado por compartilhar. Posso utilizar nas minhas aulas, com as devidas citações?

    Responder
    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Olá, Aracele. Obrigado pelo feedback. É claro que você pode utilizar esse texto em suas aulas. Espero que seus alunos aproveitem bastante.

      Responder
  4. Magnum Raymond Felix de Assis

    Bastante didático. Parabéns!!!

    Responder
    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Valeu, Magnum. Obrigado pelo feedback.

      Responder
  5. Silvana

    Bom dia! Excelente texto e me ajudou muito. Uma pena que não encontramos para comprar em nossa língua essa obra, e em inglês o preço está um tanto caro. Mas, seu texto me auxiliou muito. Parabéns e muito obrigada.

    Responder
    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Olá, Silvana. Também acho uma pena que nenhuma editora tenha se interessado em publicar uma versão em português desse livro. Seria muito útil. Daí meu interesse em publicar no blog um resumo dessa versão revisada da taxonomia. Fico feliz por você ter aproveitado. Obrigado pelo seu feedback.

      Responder

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