Testes de Múltipla Escolha: Bastam Três Opções de Resposta

Quantas opções de resposta costumam ter os seus testes de múltipla escolha? Quatro? Cinco? Você já tinha percebido a dificuldade que é construir, para cada questão, uma quarta e quinta opções de resposta plausíveis? E o tempo que leva para formular essas opções?

Estou perguntando isto, mesmo sabendo que, no post “Múltipla Escolha como Estratégia de Melhoria do Ensino”, defendi que o modelo ideal seria aquele com quatro alternativas de resposta.

Acontece que todo o esforço e tempo dispendidos na elaboração de uma quarta e de uma quinta opção de resposta, para cada questão, podem não valer a pena!! Pesquisas realizadas nessa área sugerem que é melhor terminar com esse processo, que é altamente frustrante, e dedicar o nosso precioso tempo a atividades mais relevantes.

Eu mudei o meu conceito sobre esse assunto depois da leitura do artigo “Three Answer Options Are All You Need on Multiple-Choice Tests!”, escrito por Christine Harrington e publicado no Blog da CENGAGE em fevereiro de 2016, e da leitura dos estudos citados nesse artigo.

(Nota: Agradeço à designer instrucional Christy Tucker, do blog “Experiencing eLearning essa dica de leitura).

O texto a seguir é uma tradução livre, com algumas adaptações, desse artigo.

O professor Puria Baghaei, da Islamic Azad University, e a professora Nazila Amrahi, da Urmia University, ambas no Iran, realizaram em 2011 uma pesquisa experimental para verificar se o número de opções de resposta tinha um impacto significativo nos resultados de testes de múltipla escolha. Nesse estudo, 180 estudantes de graduação foram aleatoriamente designados para três grupos: (1) Teste com três opções de resposta, (2) Teste com quatro opções de resposta e (3) Teste com cinco opções de resposta. Nos grupos 1 e 2 (três e quatro opções de resposta, respectivamente), as opções distraidoras a serem descartadas foram selecionadas randomicamente, a fim de se evitar que a “pior” opção fosse sempre a escolhida para ser eliminada. Os estudantes responderam a um teste de múltipla escolha composto por trinta questões. Todas as versões do teste eram exatamente iguais, exceto pelo número de opções de resposta.

Sabe quais foram as principais descobertas?

Foram basicamente duas, muito relevantes:

  • Não foram encontradas diferenças significativas em termos de dificuldade do item;
  • Também não foram encontradas diferenças em termos de confiabilidade do teste.

Assim, Baghaei e Amrahi (2011) concluíram que um teste de múltipla escolha com apenas três opções de resposta é tudo o que se precisa!! Se as características do teste forem, essencialmente, as mesmas, então parece não haver qualquer razão para se gastar tempo e esforço desenvolvendo opções de resposta adicionais.

Você ainda não está convencido?

Bem, eu entendo. Afinal de contas, são os resultados de apenas uma pesquisa. Mas talvez você fique surpreso ao saber que essas descobertas não são inéditas, nem sequer são recentes. Na verdade, tem sido um achado consistente em pesquisas que vêm sendo realizadas há anos.

(Nota: Mas eu não sabia…)

Michael C. Rodriguez, da University of Minnesota, EUA, conduziu em 2005 uma meta-análise desse assunto, revisando 80 anos de pesquisas educacionais. Vinte e sete pesquisas realizadas ao longo desse tempo atenderam ao critério de inclusão em seu estudo, e o mesmo resultado foi obtido: bastam três opções de resposta!!

Rodriguez (2005) argumenta que um dos benefícios da adoção do modelo de três opções de resposta é aumentar a quantidade de conteúdo que pode ser testado. Tanto o professor não precisaria mais gastar tempo produzindo muitas opções de resposta por questão, quanto os alunos não precisariam mais gastar tanto tempo lendo questões com quatro ou cinco opções de resposta. Assim haveria mais tempo, ao longo da duração do teste, para os alunos lerem e responderem a mais questões, abrangendo outras partes do material lecionado.

Fica aqui a dica: em vez de você, designer instrucional ou professor, gastar tanto tempo e esforço elaborando muitos distraidores plausíveis, utilize o seu tempo de maneira mais produtiva desenvolvendo mais questões de múltipla escolha, com três opções de resposta, para um mesmo teste.

Referências

Baghaei, P., & Amrahi, N. (2011). The effects of the number of options on the psychometric characteristics of multiple choice items. Psychological Test and Assessment Modeling, 53(2), 192-211.

Rodriguez, M. C. (2005). Three Options Are Optimal for Multiple-Choice Items: A Meta-Analysis of 80 Years of Research. Educational Measurement: Issues and Practice, 24(2), 3-13.

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