Uso da Segunda Tela em Educação e Treinamento

TelasTenho percebido um crescente interesse por parte das corporações e das instituições de ensino em disponibilizar o acesso aos conteúdos didáticos por meio dos assim chamados celulares inteligentes (smartphones). Parece uma tendência natural uma vez que o uso desses aparelhos está cada vez mais disseminado.

Tenho também duas perguntas:

  1. Quantas organizações estão oferecendo esse acesso, atualmente?
  2. Qual o percentual de alunos ou aprendizes, nessas organizações, que está acessando esses conteúdos através de seus celulares?

Enquanto essas respostas não chegam, podemos conversar a respeito de algumas implicações do uso de celulares em educação e treinamento.

Você acha uma boa ideia adaptar ou adequar todo o conteúdo de um curso acadêmico ou evento de treinamento para entrega via celular? Se a sua tendência é responder que “sim”, sugiro pensar melhor e com mais calma. Há imensas dificuldades técnicas, metodológicas e práticas.

Dentre as dificuldades técnicas podemos citar:

  • FLASH e HTML 5. Smartphones e tablets não rodam aplicações em Flash. A alternativa que vem sendo cada vez mais citada é o HTML 5. Mas esta tecnologia está ainda em sua infância, tem muito que evoluir, e ainda é muito limitada em relação às últimas versões do Flash. Então, o que fazer? Desenvolver uma versão do conteúdo em Flash e outra em HTML 5? Ou apenas abandonar o Flash?
  • SCORM e LMS. Programadores e desenvolvedores web têm relatado que há dificuldades para que conteúdos compatíveis com o padrão SCORM sejam rastreáveis pelo LMS da instituição quando são acessados via smartphones ou tablets. Muitos sistemas LMS têm dificuldades para reconhecer e registrar dados que são passados por um dispositivo móvel. Neste caso, o que fazer?
  • WINDOWS, ANDROID, IOS etc. São tantas as plataformas e as versões de cada uma delas que será preciso verificar se o material roda adequadamente em cada uma delas. Será que isso é viável?

Dentre as dificuldades metodológicas, vou citar apenas a mais óbvia: o tamanho da tela do dispositivo móvel. Conteúdos planejados para serem vistos na tela de um computador de mesa, notebook, netbook ou laptop (Nota: para facilitar, vou chamar tudo isso de plataforma desktop) nem sempre são adequados para a tela de um celular. Por exemplo, é impraticável apresentar um exercício do tipo “arrastar e soltar” o mouse na tela do celular. Qual a solução? Desenvolver atividades diferentes para uma plataforma e outra?

Uma dificuldade prática, e de ordem ergonômica, surge quando o aluno se propõe a assistir uma aula ou sessão de treinamento completa em seu celular. Ele vai ficar 40, 60, 80 minutos segurando o dispositivo à frente de seus olhos? Haja braço… Outra dificuldade prática importante, principalmente no caso do treinamento corporativo, é a questão da segurança dos dados da empresa, que se complica ainda mais quando o material didático é “baixado” para visualização off-line.

Bom, chega de falar de problemas. Vamos passar para as soluções. Afinal, estão surgindo iniciativas para o uso do smartphone e tablet em educação e treinamento que são mais inteligentes que a mera transposição dos conteúdos didáticos do ambiente desktop para as plataformas móveis.

Uma dessas iniciativas é a chamada “segunda tela”, uma expressão que surgiu primeiro na área do entretenimento para descrever o uso de uma tela adicional, como a de um smartphone ou tablet, enquanto se assiste à televisão (primeira tela). Nessa segunda tela, o expectador pode responder a questionários e pesquisas, participar de discussões e ver mais informações a respeito de um programa de TV.

As áreas de educação e treinamento estão incorporando esse conceito. A ideia é usar a segunda tela para atividades basicamente interativas, como responder a testes objetivos, participar de pesquisas de opinião, discutir em grupo determinados temas etc., com o objetivo de aumentar o grau de interesse, participação e atenção do estudante.

Como uma meta secundária, a segunda tela pode servir também para disponibilizar conteúdos complementares ao material didático principal (liberado via desktop), como textos, vídeos e áudios curtos para atender aos diferentes graus de interesse e curiosidade dos estudantes.

A diferença, aqui, é que esses materiais e atividades são desenvolvidos especificamente para as plataformas móveis.

O que você acha de usar o conceito de “segunda tela” em suas próximas disciplinas acadêmicas ou sessões de treinamento?

2 Comentários

  1. Elizandro

    Bom artigo.

    Realmente, na prática não creio ser viável transportar todo o conteúdo para smartphones. As pessoas deem entender que existem limites e que para se ter todo o conteúdo, necessita-se de uma tela maior.

    Sobre a segunda tela, foi exatamente o que pensei, desenvolver parte do conteúdo ou exercícios específicos para telas menores.

    Gostaria de ver um exemplo prático.

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    1. Wagner G. A. DestroWagner G. A. Destro (Post author)

      Elizandro, obrigado pelo feedback.
      Em EAD, há exemplos práticos bastante simples de uso da segunda tela. Eis dois deles:
      1) Em uma instituição de ensino, o DI orienta o professor a dividir a turma em pequenos grupos e, para cada um deles, criar grupos de discussão no WhatsApp. O professor então municia esses grupos com perguntas sobre a matéria em estudo, encoraja os alunos a resolverem as dúvidas uns dos outros, e coloca links para textos e vídeos adicionais disponíveis na internet.
      2) Em uma empresa, o DI do setor de Treinamento, utilizando um software específico, prepara questões de múltipla escolha sobre o assunto tratado na semana. O teste é publicado no site da empresa, para acesso via celular ou tablet, e a correção e feedback são imediatos.
      São exemplos simples, mas que dão uma ideia do potencial de uso do conceito de segunda tela.

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